quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Rachel Sheherazade

Hoje, para tudo o que se dissemina na grande mídia, há "opiniões". Toda ou qualquer notícia que se torna altamente visível e propagada é passível de crítica, seja pelo apoio ou discordância.
Rachel Sheherazade, âncora do jornal televisivo SBT Brasil, tem sido alvo de duras críticas para com suas próprias críticas. Enquanto uns são a favor, outros são do contra as opiniões da jornalista da emissora do Senor Abravanel.

Retornando um pouco no tempo e na memória do leitor, vamos nos recordar o porquê da grande exposição de Rachel na mídia atualmente. A nordestina foi contratada pela equipe nacional/princiapl do SBT como uma aposta a um novo modelo de jornalismo da emissora, com mais liberdade e uma tentativa de se fazer mais atraente e próximo ao telespectador. Seu comentário sobre o Carnaval pela TV Tambaú, afiliada ao SBT na Paraíba, se tornou um marco na vida profissional de Rachel, e pode ser considerado o principal motivo de a jornalista ter sido incorporada à equipe principal do jornalismo da emissora de Silvio Santos. O vídeo contém mais de 1 milhão de visualizações no YouTube, e a opinião maciça expressa sobre ele foi  de absoluto apoio. Desembarcando em São Paulo, seu estilo crítico perante as câmeras do telejornalismo não se desfez, e estando no ar, agora, para o Brasil inteiro, toda a nação está a par do que ela diz, fazendo-a, então, estar passiva de um número muito maior de críticas, não só do público/telespectador comum, mas também de outros jornalistas e da mídia, de uma maneira geral.

Rachel Sheherazade polemiza, como se diz muito na redes sociais. Muitos de seus comentários feitos via jornal do SBT Brasil são compartilhados na internet e criticados. As críticas malevolentes pedem até, absurdamente, que a jornalista seja estuprada, outras dizem que ela tem que se calar e ser proibida de falar. Quanta ignorância e desumanidade!

Há tempos que jornalistas se posicionam na mídia perante os assuntos mais dissipados do momento. Não é porque alguém diz algo em que possa haver discordância da minha parte, da tua, ou da de quem for, que eu tenho o direito de desejar que essa pessoa seja proibida de se pronunciar. Se eu tenho uma opinião acerca de algo que diverge do pensamento do meu próximo, eu não acho justo que eu tenha que me calar pelo fato de nossas ideias serem diferentes. Pode não haver um certo absoluto, mas sim opiniões distintas. Não há uma crítica que possa ser considerada por completo como a verdade, como hegemonia inquestionável, por isso, as opiniões tem que ser respeitadas. Repito: respeitadas! Não temos que concordar com todos, mas temos que saber que há limites e que esses limites não podem ferir a integridade (de qualquer tipo que seja) do nosso próximo. Obviamente que Sheherazade é uma pessoa pública, mas isso não a obriga a agradar a gregos e troianos. Ela tem o aval de sua emissora para fazer o que faz, se destacou no telejornalismo dessa forma e dessa forma ela tem que continuar a ser. Não há por que mudar pelos outros. Ela não está fazendo a vida de um ou de outro ficar/ser pior ou melhor por ter seus princípios a serem defendidos. O que deveríamos fazer é banir a parcialidade presente na política brasileira. Isso sim! E não a de quem tem uma ideia a defender (e assim faz). Aquelas pessoas de Brasília, infelizmente, nos representam, e não podemos deixar que a unilateralidade de políticos façam a nossa política; façam o nosso Brasil. Não há crédulo que possa se fazer braço a determinar os rumos da nossa nação. Não pode haver religião. Não pode haver direita. Não pode haver esquerda. Tem que haver um povo. Uma igualdade. Os mesmos direitos à todos, independentemente de qualquer coisa. Não temos que julgar uma pessoa pública por se expressar quando esta, de fato, faz mal a ninguém. Como já comentado, isso não é recente. Muito disso já se faz há tempos. É fácil falar mal da Rachel Sheherazade por mostrar a cara na TV aberta, mas é difícil criticar um colunista da VEJA, por exemplo, que te limita ao ler a revista... se é que você a lê. É difícil criticar o comando de jornalismo da Globo, que não se mostra, mas está lá fazendo o que quer com a cabeça do telespectador global, que não sabe sequer discordar das palavras bem ditas e expressadas do Arnaldo Jabor, porque o cara é absurdamente persuasivo. Há muita gente que fala e escreve muita bobagem há anos, décadas... e essas pessoas quase nunca sofrem qualquer tipo de repúdio como está acontecendo atualmente com Sheherazade.

Acerca de suas opiniões polêmicas, é evidente que ela conquista a muitos, mas também consegue atiçar a antipatia de muitos outros. A própria emissora já se pronunciou que o que Rachel fala na bancada do SBT Brasil é de pura e única responsabilidade e ideal da jornalista, o que já é algo bastante plausível, haja vista que, ao menos o que parece, é que os âncoras do SBT não são fantoches como sabemos bem que acontece em outras emissoras e outros veículos midiáticos. Observação: Isto, quanto a expressão da opinião do noticiarista.

No meu ver, Sheherazade se posicionou bem em muitas de suas análises, no entanto, discordo em algumas outras. Acontece!... Pode ser estranha esta comparação, mas em nossas amizades, em nossos relacionamentos, seja com quem for, nós nunca estamos de pleno acordo com tudo. Sempre há uma ou outra discordância, por um motivo ou por outro... Mas a gente supera essas coisas porque conhecemos as pessoas com quem nos relacionamos... sabemos de seu caráter, de seus valores, e não será por um impasse ou outro que a relação será banalizada. Fazemos questão de superar obstáculos para estarmos bem com quem gostamos. O que quero dizer é que uma palavra não é motivo para me/te fazer desvalorizar e/ou ridicularizar o outro. Temos que tentar conviver um com o outro independente de pensamentos diferentes, independente de diferentes opiniões.

Opinião cada um tem a sua. Isso não é bem verdade (por isso utilizei aspas na primeira linha deste texto para a palavra em destaque), mas assim vamos considerar para esta análise. Dada essa afirmação, nossos alvos não tem que ser as pessoas, mas sim as ideias. Eu tenho uma ideia X e você uma ideia Y. Nós discordamos um do outro, quiçá, essas ideias são até antagonistas. Se achamos que nossas ideias são boas e trarão resultados benévolos à sociedade, vamos, então, defendê-las, ainda que para isso temos que atacar o oponente. Mas, veja: o oponente é a ideia, não quem a defende! Não temos que depreciar as pessoas, temos que depreciar ideias más. As pessoas podem mudar. As ideologias permanecem, e à espera de devotos. É a má ideologia que tem que ser destruída, não as pessoas!

12 comentários:

  1. Bem, concordo com você no sentido de que não se pode, sob nenhuma hipótese, desejar que alguém se cale ou chegar a uma atitude extremista de declarar publicamente que tal jornalista deveria ser estuprada por sustentar suas opiniões em público.
    Eu mesma já compartilhei um vídeo contendo a opinião dela, cujo conteúdo trazia uma reflexão sobre o Natal.
    Contudo, creio que a repercussão de seu comentário foi maior a partir do momento em que ela comentou a respeito de um adolescente que foi espancado, amarrado e deixado nu em plena via pública. Tal comentário poderia ter sido apenas mais um no meio de tantos outros, já que a mesma jornalista já havia publicizado a sua opinião sobre adolescentes que cometem algum delito, aos quais ela chama de "marginais".
    Porém, o que o difere dos demais é que, para além de ter tornado um ato considerado no mínimo cruel como algo inteligível (já que, na concepção dela, o fato de o Estado ser omisso e a polícia descreditada torna o ato de "legítima defesa coletiva" aceitável), ela foi extremamente incoerente no tratamento dado a adolescentes que cometem delitos.
    Isso porque, ao comentar sobre as inúmeras demonstrações de atos impensados de Justin Bieber, que culminaram em sua prisão, a mesma jornalista que, quase literalmente, atira paus e pedras em forma de palavras em um adolescente já julgado e sentenciado por um grupo de "justiceiros", justifica os atos do famoso cantor como um adolescente "contestando os valores morais".
    Na minha opinião, o que dói mais é a diferença de tratamento, e não a opinião em si. Por que um é um jovem contestador e o outro é simplesmente um bandido?
    Por fim, o que parece ser apenas mais uma opinião, tem, como pilar de sustentação, uma ideologia, da qual não creio que tenhamos muito do que nos orgulhar.

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    1. Concordo contigo, Alana. O comentário de Sheherazade sobre Bieber eu achei absolutamente equivocado. E também enxergo discordâncias como você bem citou. Como relatei, dependendo de sua fala, sou contra ou a favor dos comentários da Rachel. Não escrevi defendendo-a por si só, como pode ser percebido.
      Entretanto, neste post, eu não fui pontual. Não citei um comentário ou outro da jornalista e sei que você entendeu meu recado!
      Na parte intermediária do meu texto eu cito a parcialidade da política brasileira. Há uma ideologia que ela segue, e defendo que as pessoas ataquem isso, haja vista que é a política que define os rumos do país, das pessoas, e não um ou outro jornalista. Creio que esse seja o propósito principal do meio texto.
      Obrigado pelo comentário, Alana. Volte sempre!!

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    2. O outro é "simplesmente um bandido" porque tem uma ficha quilométrica na polícia, Alana. E tem outra: ngm é obrigado a aceitar um bandido te assaltando, ameaçando, fazendo sei lá o q repetidamente só porque é menor de idade, como se não tivesse discernimento. O garoto é menor e não um acéfalo e eles tiram vantagem da menoridade penal SIM. Se vc tá com pena, se acha que são todos uns coitadinhos, leva sua bolsa pra passear onde ele atua, ou então adote-o.
      (Helen)

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    3. Olá, Helen (ou simplesmente anônimo, caso assim prefira)!
      Primeiramente, gostaria que respondesse as seguintes indagações: Em algum momento em meu comentário eu disse que as pessoas são obrigadas a aceitar outras pessoas cometendo assaltos ou delitos de qualquer outra natureza? Ou, ainda, disse que o adolescente não tinha "discernimento" sobre os atos praticados por ele? Desculpe-me, mas não, em nenhum momento eu disse isso.
      O que eu contestei foi o porquê do tratamento diferenciado a dois adolescentes que, em algum momento de suas vidas, transgrediram a lei, cometendo atos infracionais.
      Ou você também irá argumentar que o Justin não sabia que dirigir embriagado, sob efeito de outros entorpecentes e em alta velocidade não é crime? Ou que o ato de pichação, que é considerado, no mínimo, falta de bom senso, é crime ambiental, com pena prevista de 3 meses a 1 ano?
      Creio que os atos do famoso cantor também dão margem a uma ficha extensa de crimes.
      Não defendo a impunidade, Helen. O que defendo é que, se clamamos por penalização, que seja para todos, anônimos ou famosos, pretos e brancos, ricos e pobres.

      Por fim, deixo-lhe uma sugestão de leitura, para que, ao menos, fique a par de ponto de vista diferente do seu, mas que nem por isso é ilegítimo: http://www.cartacapital.com.br/sociedade/ta-com-do-leva-pra-casa-9077.html
      Abraços e boa leitura!

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    4. Vejo que, possivelmente, Alana, você foi vítima do mesmo 'processo' que sofreu Sheherazade; disse uma coisa e foi interpretada de outra, e por isso está tendo que desconcertar os inventários que fizeram sobre você. Seu discurso - provavelmente - não foi bem analisado, o que infelizmente é comum as pessoas fazerem. Reitero, foi o que aconteceu com a Rachel, em que analiso seu discurso, parte a parte, aqui: http://minhaproposta.blogspot.com.br/2014/02/adote-um-bandido-nao-e-compreensivel.html
      Creio que seja isso que as pessoas têm que fazer. Escolher uma reportagem do pós ou do contra (da grande mídia) e dar apoio a uma delas é fácil! Isso não opinião. Opinião, crítica de fato, é uma análise sua, e não uma que você apoia. É claro que as ideias dos outros contam, podem ou têm que ser relevadas, mas não é o suficiente!

      Agradeço a participação de vocês!
      Abraço!

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  2. É engraçado: a corrupção grassa nesse país e o povo, apático, só se importa com o próprio umbigo, com futebol, com beijo gay de novela, com Big Brother e Copa do Mundo. Então, uma jornalista mostra a mesma indignação que pessoas decentes mostram, é crucificada, criticada! Os direitos humanos, como dizia a Hebe Camargo, devia ser para humanos direitos, mas não é o que acontece em um "país" em que o bandido é eternamente glamourizado, prestigiado e atratado por excelência! A própria mídia reverencia e dá espaço a CANALHAS, enquanto cidadãos de bem não têm a quem recorrer quando são lesados, roubados pelo governo e pelas empresas SAFADAS que atuam nesse no Brasil. É foda! As pessoas sempre dispendem energia e atacam o lado errado da questão! É por isso que não saímos da MERDA nunca!

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    1. Boa explanação! Concordo!! Entretanto, há uma tecla a ser batida que muitos, ou talvez a maioria das pessoas não se dão conta dela e por isso, sequer questionam: Temos que discutir, também (ou sobretudo), as razões, as causas da existência dessa 'classe' que chamamos de bandidos, canalhas. O que se faz maciçamente é criticá-los e o modo com que são tratados perante a sociedade, a polícia e as leis, ou seja, a capa, a pele de um problema maior do que se vê, mais complexo do que geralmente se concebe. Mas, de fato, seu ponto de vista é plausível! E seu enfoque acerca das questões políticas, como também pontuo e creio ser algo substancial para essa discussão, também se faz crucial.
      Agradeço a participação!
      Volte sempre!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. O problema não é a questão da liberdade de expressão, o problema é que os comentários dela são de mesa de boteco, sem explorar profundamente o assunto, por isso o grande povão adora. "Bandido bom é bandido morto". "O INSS paga pensão de 1000,00 reais para cada filho do preso e a família da vítima fica sem nada" e outras besteiras que todo mundo compartilha no facebook sem se aprofundar no assunto (até hoje tem gente que acredita nessa pensão de mil reais para cada filho de preso!!!). É muito fácil falar mal dos que defendem os direitos humanos colocando vídeos assim. Vão atrás do que realmente acontece, no fim só quem tem direitos humanos na cadeia são pessoas ricas e influentes como ela. E a questão da maioridade que tanto falam? vai adiantar em que? Febem é mais legal que cadeia? A diferença é que os adolescentes vão ficar junto com os adultos e aí sim a coisa fica feia! Além disso, menor preso não tem direito à sursis (suspensão da pena) e outros privilégios que o preso adulto tem. Mas quem é a favor da redução da idade, não sabe PORRA nenhuma disso. Ela é contra os direitos humanos, então é a favor da tortura e todo mundo acha legal?? Então passem a festejar porque a tortura já existe nas cadeias e o que MERDA que melhorou esse país?? Acabar com direitos humanos só é bom quando é com OS OUTROS! Agora, melhorar as condições de vida, distribuição de renda, educação adequada, acabar com a impunidade, isso SIM pode melhorar as coisas. Acabar com os direitos humanos é dar carta branca para que os policiais possam fazer o que quiser, arrancar confissões como a do maior erro judiciário do país (assistam o filme "o caso dos irmãos Naves"). É a mesma coisa de ficar discutindo as cotas há 10 anos e não melhorar PORRA nenhuma o ensino fundamental!! Bolsa família é para vagabundo?? vai viver com 120 reais! Quero ver falarem do "bolsa dondoca" - pensão para as filhas solteironas, que pode chegar até R$ 43.000. Sinto muito, mas uma jornalista como essa, superficial e preconceituosa, me faz ter vergonha de ser nordestina!

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  5. Até quando ela falou mal das drogas foi criticada!Estão criticando absolutamente TUDO o que ela diz,ela estando certa ou não!Estou convecido.Ponto.

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    1. Pois é. Também estou enxergando isso. Ela se tornou alvo da "crítica" independente de qualquer coisa. Independende do que ela diz, ela está sempre errada para as pessoas. Fico me perguntando se ela fez algo (pessoal) contra esses pobres infelizes..

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  6. A diferença é que Rachel Sheherazade não comparou um ladrão e agressor com um vândalo.
    País de hipócrita, onde o defensor dos direitos humanos, tem carro blindado, Rolex, e segurança particular.

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